domingo, 6 de abril de 2014

Filhos I: objetos sagrados.


Os pequenos descobriram meu esconderijo com os narizes de palhaço, e pediram permissão para brincar com eles. Chego ao quintal e vejo as esferas vermelhas sendo chutadas como minúsculas bolas. E digo: "Nãoooooooooo!" Eles estancam ofegantes e eu continuo: "Nariz de palhaço pertence a mesma categoria do lápis de cor e massa de modelar, são objetos sagrados". Eles me olham com cara de espanto e eu emendo: "Sabem o que é sagrado? Sagrado é algo especial, tipo mágico. Objetos sagrados são objetos mágicos que ajudam as pessoas serem pessoas melhores.Devemos tratar esses objetos com todo respeito!".

Foi assim, acabo de criar a categoria "objetos sagrados da infância (e da vida adulta)".  Que outros objetos pertenceriam a esta categoria, além do lápis de cor, massa de modelar e nariz de palhaço? 

sábado, 22 de março de 2014

E agora, quem vai acender o Espírito Santo?

Hoje acordei com uma bruta saudade da minha avó. Minha avó, a mais chatas das chatas desse mundo e que me deixou coxa depois que se foi. Ela não existir mais exige uma reconfiguração do mundo, é bem estranho. Saber que ela estava lá, me dava sossego pois eu tinha certeza que ela me amava, fosse eu a beócia que fosse. E ela me achava linda. E sempre me lembrava para pentear o cabelo. E me admirava. E tinha orgulho de mim. Mesmo que eu estivesse fora do peso, mesmo que eu fosse comum, mesmo que eu não fosse fantástica. E ela ainda tinha a mágica do afeto de "acender o Espírito Santo". Toda vez que eu estava em apuros pedia a ela que rezasse para mim, por conta de uma prova, entrevista ou conversa difícil. E ela dizia: Filha, Deus te abençoe e o Espírito Santo que te ilumine. O Espírito Santo que te ilumine. Ele continua a me iluminar, é verdade, mas era mais perfeito quando era minha avó que o acendia...Saudade de ver suas mãos e seu apuro estético com as unhas...

domingo, 27 de outubro de 2013

Rede Globo: Elza e Clarence dão adeus


Hoje escrevi aqui sobre a decisão da Rede Globo de acabar com a Sessão da Tarde. Vejam o trecho do Leão Vesgo. É possível não se deixar levar pela leveza e ingenuidade do filme? Sinto pesar.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

QUALQUER UM PODE SER PROFESSOR DESDE QUE DOMINE BEM O CONTEÚDO





Dia do professor, que esparrela. Ano passado comemorei com a barata, lembram? Mas esse ano acho que consigo dizer com palavras o que sinto sobre o malfadado dia do professor. Não há nenhuma profissão tão ingrata quanto ser professor. No mundo todo (e não só no Brasil, como pensam alguns) QUALQUER UM pode ser professor e lidar com as questões do ensinar. Para ser professor basta dominar o CONTEÚDO. Sim, porque o CONHECIMENTO foi adestrado até virar CONTEÚDO, que é tão pouco amistoso que precisa ser DOMINADO. E eu que achei que dominação fosse coisa para dragões! Dominamos aquilo que nos incita perigo, nos dá medo e parece ter vida própria, alheio aos nossos desejos. Deve ser por isso que os educadores organizam os CONTEÚDOS em GRADES. Isso ou ainda arriscamos que os conteúdos escapem e libertem-se, sobrevoando lindamente a curiosidade das crianças e pessoas pensantes com suas asas prateadas e verdes! Mas somos nós professores os responsáveis por essa cena, certo? Por que não reagimos, por que não libertamos o CONHECIMENTO? Atentem, no início do meu texto disse que no imaginário das pessoas QUALQUER UM pode ser professor. Pois tem QUALQUER UM demais dando piteco e comprando tablet como se isso fosse solução para os problemas da educação. Tenho medo de que este cenário nunca se altere e não gosto de parecer tão pessimista. Mas o fato é que embora a profissão de professor não seja exatamente uma novidade, a maior parte das questões relacionadas ao ofício permanecem abertas.  E estas aberturas são brechas nas quais o QUALQUER UM se infiltra e faz pose de professor.  Não basta ter acesso aos textos do Paulo Freire, é preciso amadurecer o texto, amalgamá-lo com as vivências em sala de aula. Professor é profissão rara, que requer amadurecimento, feito fruta no pé. Temos escolas e alunos demais para formarmos bons professores na quantidade esperada. Acabamos por ter pouquíssimos professores e muitos QUALQUER UM. 

Para finalizar, as imagens são uma sugestãozinha para o "ótimo"gestor nosso ministro Mercadante. Olha aí, quem sabe você não nos presenteia a todos (professores) com um mimo desses no Dia do Professor! Professor que é professor domina o conteúdo e leva o dragão no peito...no dedo...nas orelhas. Diz se isso não anima? 

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Eu sei que ela é capaz de falar, eu sei....


1. Diana, o que você acha da nova vida aqui em casa?
2. Do que sente falta em Peirópolis?
3. A quantidade de sal que a Dona coloca na comida está no seu gosto?
4. Quando saímos, você prefere ficar na parte da frente da casa ou no quintal?
5. Se você pudesse realizar um sonho, qual seria?

sábado, 10 de agosto de 2013

Ondas de tristeza....


Texto de Clarice Reichstul 

Folha de São Paulo

O Velório Municipal do Barreiro é um prédio simples. É ali que, sentados em bancos de cimento, no pequeno pátio, familiares e amigos velam seus mortos.
Vovô Lício estava no caixão, coberto de flores e com uma camiseta do time América sobre o peito. Benjamim entrou correndo na salinha, queria ver o que todos estavam olhando. Seu pai ficou aflito, com medo da reação do menino frente ao morto.
Esse é um medo comum entre nós, os adultos. Benjamin chegou bem pertinho da cabeça do avô. Primeiro, um pouco ressabiado. Depois, já estava mais à vontade.
Perguntei se ele estava com medo. “Não, eu não estou com medo. Estou triste.” Ao longo do velório, ele foi e voltou ao caixão. Deu beijo, contou segredos e fez carinho no corpo do homem que não estava mais lá. Nessas idas e vindas, se despediu.
A tristeza, durante o velório, se mistura ao papo do dia a dia, como se ela tivesse um certo prazo de validade. Nem a dor mais doída resiste ao riso frente ao comentário sobre a filha da vizinha do avô, que morreu naquela manhã tão linda, em que o sol convidava todos a viver a vida sob sua luz.
A dor vem em ondas e assim também se vai. Uma hora, chora abraçado na avó. Em outra, brinca de coceguinhas com o André.
Pois é, o vovô Lício mágico se foi. E, além das saudades, ele deixou meia dúzia de adivinhas sem respostas para a gente resolver.~

sábado, 27 de julho de 2013

Como faz para "demorar" o tempo?

Vamos para 15 dias sem minha avó. É, minha avó que está por toda parte aqui neste blog, declarações de amor e de ódio, minha intensa avó. Em uma das últimas vezes que estive com ela lúcida, cerca de um mês e meio atrás, deixei de fazer um pão de ló com ela por conta do pouco tempo, "ah, fazemos da próxima vez, tá, vó?". Arrependimento, devia ter me virado em cem e ajudado minha avó a fazer o bolo. Mas talvez este seja meu único arrependimento (e não quero descobrir outros, por favor, que isso é perverso). Aproveitei minha avó o quanto pude: briguei, amei, papariquei, ouvi, ouvi, ouvi, ri dela, quis esganá-la, fiz desaforos, pedi desculpas, recebi carinhos, recebi palavras mais que amorosas, falamos do meu avô e da saudade dele. Aproveitei, mas não foi o suficiente. Nunca é, sempre queremos mais. Na realidade a vida passa muito veloz, zás trás! Como faz para impedir que o tempo avance tão rápido? Como faz para "demorar" o tempo, para aproveitarmos mais a vida, o convívio com quem amamos, fazermos o que realmente nos faz feliz? 


Imagens: Diana no cio com orelhas geladas e tentativas de aquecê-las. Sobre amor, na universidade...

domingo, 14 de julho de 2013

Santa Diana...



As imagens dizem tudo. A última foto foi um cinto tressé. Que sorte nós temos de ter a gigante cinza!

sábado, 13 de julho de 2013

O desgraçadinho embalado na nossa direção

É sábado. Faz sol e o céu está cegante de tão azul. Saímos, Diana e eu para o passeio da manhã, o primeiro do dia. Nossos passeios são ótimos, mas não são raros os desassossegos causados por cachorros soltos na rua. Por aqui ainda temos pessoas não civilizadas que abrem os portões e incentivam que a cachorrada saia para fazer as "necessidades" na rua. Pois lá na esquina há uma casa de um povo bárbaro (no sentido de não civilizado) e eles têm uns três cachorrinhos que não alcançam 1/3 do tamanho da Diana, mas correm atrás da gente (da Diana) e ficam tentando morder (ou encenam isso). Um deles eu detesto, pois vem feito uma bala de canhão em silêncio para cima da Didi toda vez que a vê. Contra esse em especial, eu já tentei de tudo: gritos, pedras, galhos, chinelo. Mas hoje acho que encontrei uma solução! Quando vi lá longe o desgraçadinho embalado em nossa direção, segurei a coleira da Diana e disparamos a correr na mesma direção dele, como se fôssemos pegá-lo! Pois não é que ele ficou estupefato? Deu meia volta e correu da gente apavorado! E a Diana e eu na correria! Depois paramos e ele, de uma distância segura do ponto de vista dele, ficou de lá latindo impropérios! E eu idem! Mas eu falei, não lati. Manhã de sábado emocionante...

sexta-feira, 28 de junho de 2013

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Ja-bu-ti-ca-ba! Jabuticaba! Jabuticaba!



Estive com meu sobrinho de cinco anos por uns dias, e seu irmão de 3. As emoções foram fortes! O mais velho leu comigo pela primeira vez. Ja-bu-ti-ca-ba! A sua primeira palavra. Depois disso saiu lendo tudo a sua volta. Buscou livros, até o caderno de dever de casa. Eu estava com ele quando deu os primeiros passos. E agora as primeiras palavrinhas. Depois, mais tarde fui ler para eles um livro sobre natureza. E deparamo-nos com uma imagem de uma raia. E da-lhe explicar. Até que o mais novo me interrompeu dizendo: Tá, titia, a gente entendeu, parece com um tapete! São os amores da titia! O que vem a seguir? Harvard? Nasa? O que couber no coraçãozinho deles....

domingo, 16 de junho de 2013

Jardins, fortalezas e contemplação

A Diana tem pedido com seus meigos olhos verdes uma casa com jardim (ou será que nós é que queremos a tal casa nova com jardim e atribuímos a Diana este pedido?). O fato é começamos a "pensar" a casa nova.  A "pensar" e a "botar reparo" em todas as casas que nos cercam. Por aqui a moda é a casa-caixa (para aqueles que não querem ou não podem ter uma casa em um condomínio). A casa-caixa é aquele que vista da rua resume-se a um muro altíssimo com dois portões: um para a garagem e um menor para a entrada das pessoas. Dá uma sensação de fortaleza/castelo, parece pressupor que o lado de fora é do mal e por isso não é bem vindo. Voltamos ao período medieval com suas muralhas....
E a falta de acesso visual ao interior da casa nem desperta a curiosidade. Além disso as casas ainda possuem cercas elétricas e, por vezes, duas casas compartilham o mesmo muro que passa a exibir duas cercas elétricas dispostas feito espinhos gigantes. Não gostaria de viver assim. As janelas também sofreram uma diminuição por conta do medo. A janela antes era para ventilar, entrar luz e convidar a contemplação. Agora é passagem de entrada em potencial para bandidos, então é melhor não facilitar!Na nossa cidade, as casas antigas, com alpendres, grades que mais parecem renda e fachadas com floreios e santinhos estão sendo derrubadas para que casas-caixa sejam erguidas ou prédios-caixa. Não entendo porque as pessoas não reagem, o que se passa com elas?

quarta-feira, 17 de abril de 2013

O trabalho e as pessoas: o que resta de você se tiram o trabalho que você faz?

Tenho andado soterrada por trabalho da pior espécie, daquele que vem acompanhado por uma corja de sentimentos e questões que nos fazem pessoas piores. É trabalho demais e de péssima qualidade. Mas o que mais me apavora é como podemos ficar obcecados com os ambientes e as histórias do trabalho. Houve uma época em que eu não tinha, em tese, trabalho (era "só" estudante de doutorado, e isso não é trabalhar). Quando as pessoas me conheciam e perguntavam "onde" eu trabalhava e eu não tinha nada para indicar "pertença" ficava desqualificada no cenário das relações. Parecia que eu "era o que eu fazia" (ou não fazia" como trabalho). Eu era o trabalho que eu fazia e se eu não fazia nada (em termos de trabalho) eu não era ninguém.Comecei a perceber que as pessoas eram definidas pelo trabalho que realizavam. E então me perguntei, e se tiram o trabalho delas, o que resta? Sabe quando alguém nos pede identificação e a gente diz: Sou Fulana, de tal lugar (de trabalho)? Pois quem eu era e o trabalho (ou o lugar onde eu trabalhava) se confundiam, eram uma coisa só. Eu li sabe lá onde que não devemos dizer nosso nome associando-o à empresa em que trabalhamos. Isso nos reduz como pessoas, dizia o artigo e eu concordo. Depois que li isso, passei a dizer meu nome e sobrenome, e só. Só digo onde trabalho quando perguntam, logo a seguir.Também passei a investir mais em mim no que diz respeito ao não-trabalho, ou pelo menos pensar sobre isso. Tipo, o que você escreveria em um cartão de trabalho: professora e.....?  Adivinhadora? Mágica? Aprendiz de acrobata? Passeadora de cães (com a Diana em casa eu poderia dizer isso!). Boa muito boa de soneca? O que resta de você se tirarem o trabalho que você faz, afinal?

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Uberaba em Chicago

Mais uma produção realizada pelo Núcleo Experimental de Cinema da UFTM. O produto final foi pensado e orquestrado por alunos do ensino médio e alunos da graduação que integram o núcleo. Escolhas deles, entrevistas feitas por eles, edição deles. Na produção eles começam a desenvolver a criticidade, quando confrontados com as obviedades das suas escolhas. Eles, por exemplo, utilizaram nas e entrevistas a pergunta "O que você faria (ou como gostaria de ser tratada) se fosse A ÁGUA? Eles pensaram na pergunta dentro da categoria "perguntas inusitadas". Mas, ao trabalhar com eles antecipadamente as possíveis respostas eles perceberam que as respostas seriam previsíveis (Gostaria de ser poupada...exceto EU, que diria: Se eu fosse a água eu queria ser um hidrante estourado, pro povo todo tomar banho e se divertir, queria ser usada abundantemente e fazer as pessoas felizes!. O melhor mesmo é vermos os jovens pensando o uso das imagens e dos sons, e deslumbrando-se com os conteúdos! vejam o resultado, o filme será exibido em um evento acadêmico em Chicago, nos próximos dias.

Três semanas de Diana



Três semanas de Diana e muitas mudanças na rotina, de todos os tipos. Podia me alongar aqui apenas descrevendo as artes da pestinha, cachorrona adorável! Mas acho que o que mais me impacta com a história da Diana, são as melhorias que ela fez na minha vida. Quem não gosta de cachorro (ou gato) vá para outro blog, pois acho que você não vai entender nada! A Diana devolveu-me a lucidez. Estava "louca" e obcecada por trabalho, mas a presença dela me obriga a outra lógica no dia a dia. Tem os horários dos xixis, entre 3 e 4 saídas por dia. São momentos dela, que ela não aceita que eu me distraia com nada "para além dela! Ou seja, são 15/20 minutos que eu não posso pensar na faculdade, e minha mente então fica deliciosamente ocupada com doçuras e poesias do passeio (um beija flor que passa pela gente, as senhoras que caminham pela manhã e nos dão cada sorrisão, os matos de Uberaba que me transportam para minha infância e me dão um sossego na alma!). A Diana me fez também resignificar o que antes eu achava urgente. Antes dela eu "estava numa" de responder todos os emails em caráter de inadiável. Pé no freio, se não responder hoje, ora bolas, respondo amanhã. Vamos precisar mudar de casa também, Diana quer um gramado, ela pede com os olhos todos os dias no passeio, quando passamos por casas (terrenos baldios também) com longos gramados e floridos jardins. Sem dúvida, eu ando muitoooooooo mais feliz. Alguém sabe me dizer em que momento da vida dos cães eles recebem o manual "Como ser um cão peralta"??

sábado, 30 de março de 2013

Diana, completando uma semana



Todo bem que ele me (nos) faz....Deve ter um ano e meio, agora vermifugada e vacinada. Passeio duas vezes por dia (pelo menos). Engraçada, brincalhona, pesadona.....já amo a peluda! O amor é sempre sempre misterioso....ele vem e se aloja.... 

terça-feira, 26 de março de 2013

domingo, 24 de março de 2013

É hoje


Depois de muito resistir, de reunir todo tipo de argumento racional, de tentar acalmar o espírito criando uma programação temporal que incluísse o tal evento....vamos trazer para casa um novo membro! Uma cadela lindaaaaa! Mais tarde posto a queridinha aqui! PS: As imagens são do Espaço Tim do Conhecimento, a primeira é uma escultura de papel, e a segunda painéis de fuxico....Respiros em meio ao furacão.


Semana difícil

A semana foi difícil, mas acabou. Agora é juntar cacos, colocar no lixo o que não é mais necessário, passar uma cera nos móveis e seguir em frente. Por que no fim das contas, vamos todos terminar aí, entre terra e vermes. Ao longo da semana criei um mecanismo mental para não sucumbir aos ataques vividos, eu olho para a pessoa e penso: Se fosse neto/neta do meu avô Clóvis, ou filho/filha do meu pai Raimundo NUNCA teria a admiração deles, NUNCA! E a pergunta que fica é: o que vai ficar quando esticarmos as canelas?

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Ensinar coragem


Filme belíssimo! Pode ser visto completo aqui.Para mim é especialmente tocante pois me remete ao tempo em que fui professora no Instituto dos Cegos. É maravilhosos perceber que contribuímos com a vida de uma pessoa e ela segue segura e livre, autora feliz da própria existência. Ensinar coragem, não há maravilha maior....

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Posse Obama e imagens da AP







Aproveitando a posse do presidente Obama, aí vão algumas fotos da cidade de Washington (vimos os preparativos para a posse, interessante!). O que dizer da cidade? Civilizada, limpa, mais barata que NY, pessoas mais gentis. Eu iria adorar passar uns meses lá como residente. Ficamos hospedados na região da Georgetown University. Para quem não sabe, a cidade tem um conjunto incrível de museus (Smithsonian Museum) todos com entrada franca (tem para todos os gostos!). Neste post coloquei apenas algumas imagens que fiz próximo ao Capitólio e a Casa Branca. Pensei que o lugar estaria lotados de seguranças e que seria impossível não se sentir vigiada. Não é assim, em uma das fotos vê-se rapazes utilizando a rua em frente a Casa Branca para fazer um joguinho com seus patins! Na penúltima foto vemos um senhor em pose de respeito, como se rezasse, no gramado do Capitólio. As plaquinhas de identificação das plantas estavam no canteiro do Jardim Botânico, mas estão por todo lado (em NY também vemos). A população tem a possibilidade de saber que é a árvore que está ali, lindo e simples. Ah! Fomos de trem, viagem tranquila e rápida. 

sábado, 19 de janeiro de 2013

Primeiras imagens de NY e Washington







De volta! Viagem maravilhosa! Muitos museus e livrarias: andares e andares! Singeleza natural que cativa (vejam o esquilo e os patos) e cidades que são "cenários vivos"! Todo canto já foi locação para um filme, é uma delícia reconhecer os filmes pelas ruas, prédios e escadarias. Há até um circuito só para visitar locais nos quais filmes e séries são produzidos. O frio foi simpático, nem chuva, nem neve. Aos poucos vou colocando aqui mais fotos e minhas impressões. Eu adoraria morar em Washington e ir passear em NY! Quem sabe ainda vamos.....

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Obrigada aos Correios!

Meu descontentamento com relação aos serviços prestados pelos Correios no Brasil não é novidade neste blog.Meu ódio pelos Correios é relativamente recente e em nada lembra o tempo em que era para mim uma alegria receber e enviar cartas. Ainda tenho guardado as cartas trocadas desde a adolescência com amigos! Mas os Correios souberam minar minha admiração e respeito pelos carteiros e pela organização. Em 2012 eles se superaram em me fornecer situações para alimentar este sentimento de desprezo, tantos foram os episódios em que misturavam ganância e incompetência. Vale aqui comentar apenas um dos episódios, o do consulado dos EUA. Os Correios no Brasil têm o monopólio no que diz respeito ao envio de correspondências e por isso impediram que a Embaixada Americana enviasse para os requerentes do visto americano o passaporte utilizando os serviços de uma empresa de encomendas. O passaporte para eles era uma correspondência, logo apenas eles poderiam entregar. E por que será que a Embaixada preferia utilizar os serviços de outros?? Quem tem o costume de enviar cartas no Brasil sabe que utilizar os serviços dos Correios é uma espécie de roleta da sorte, a gente nunca sabe quando a carta chegará ou se chegará. É uma vergonha que uma carta vinda do exterior leve cerca de uma semana para aqui chegar enquanto uma enviada por nós leve até um mês para alcançar seu destino! E os próprios funcionários assumem sem constrangimento a incompetência deles, de forma sutil, mas assumem. Outro dia vi uma funcionária explicar para uma usuária dos serviços a diferença entre uma carta simples e uma carta registrada: "Então é assim, a carta registrada a gente tem certeza que vai chegar lá, já a carta simples....". Como assim?! Quando questionei a alta taxa cobrada pelo envio de um Sedex outra funcionária me disse: "Ué, por que está reclamando, se tivesse que ir pessoalmente levar a carta seria bem mais caro!". Para essa respondi: "Sei...entendi a sua lógica...se eu entro aqui enlouquecida e arranco seus dois braços você está no lucro, afinal eu podia era dar um tiro na sua testa....essa é uma lógica interessante". Bom, esta é só uma postagem desabafo apenas.....

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

E o mundo vai acabar outra vez...

A ideia de "fim do mundo" poderia aparecer junto aos ciclos apontados por Nietzsche no seu "eterno retorno"Vira e mexe tem alguém propondo-adivinhando-sugerindo que o fim do mundo está próximo. Há uma dimensão lúdica na ideia, que muito me agrada, experimentar situações imaginária de maneira a se auto avaliar em diferentes circunstâncias. É divertido! Por outro lado, eu que não acredito que o mundo de fato deixará de existir no próximo dia 21, quase chego a clamar por seu fim quando olho ao meu redor e vejo tantas bizarrices pouco saudáveis! Algumas:
- Minha amiga Chrys levou a sobrinha ao circo e me mandou uma mensagem: "Já viu circo sem palhaços?" Não, amiga, não consigo imaginar um circo sem palhaço. Será que ficou proibido junto com a ideia de exploração dos animais, tipo um palhaço sofreria assédio moral do público?
- A Rede Globo tirou do ar o programa do Didi Mocó!
- O correio no lugar de se dedicar a entregar cartas e fazer bem agora funciona como banco...e é assaltado!
- O jogador Neymar aparece na em uma propaganda (ele faz mais comercial do treina?) dizendo para as pessoas "re-pensarem" a televisão que têm em casa. Mas para re-pensar não  é preciso pensar primeiro?? E ele já conseguiu pensar alguma vez?? 
- Propagandas de perfume masculino vestem meninas de terno. Não são meninas? Então temo pelo futuro dos rapazes, pois o que parece é que o rapaz bonito do futuro será aquele que parece uma menina. Outro dia confundi o Justin Bibier em uma fotografia com a Maria Gadu. 
Talvez este mundo que conhecemos devesse mesmo acabar!
Aí vai a música da Carmem cantada pela Paula!



sábado, 15 de dezembro de 2012

Não-tem-como e será-que-tem-como

Nos últimos tempos esta é a expressão que mais tenho escutado: "Não tem como." São em média cerca de 12 não tem-tem-como por dia. As pessoas simplesmente acham que este não-tem-como serve para me dizer que não há saída, que não existem outros caminhos ou instâncias, que todas as possibilidades esgotaram-se ali, no não-tem-como. Curiosamente, para mim as falas começam assim "Será que tem-como....?". Eu recebo não-tem-como mas sou convidada a oferecer o tem-como. Isso cansa.....

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Poesia aos meus pés



São Ipanemas. Tinha preconceito. Mas estas com as matrioskas não são lindas???? Tem formiga, joaninhas, bicicletas, pássaros...As Havaianas que se cuidem! Ah...repararam que cada pé é de um jeito???

terça-feira, 6 de novembro de 2012

E você, tem coragem para expressar sua própria "língua individual"?

Ontem na Folha de São Paulo saiu este texto. Inquietante..Quem é rato aí levanta a mão?

O filósofo do martelo na academia

Luiz Felipe Pondé 


"Eu lamento agora que naqueles dias eu ainda não tinha coragem (ou imodéstia?) para permitir a mim mesmo, de todas as formas, minha própria língua individual..." Estas palavras são de Friedrich Nietzsche (1844-1900), em tradução livre, do seu "Tentativa de Autocrítica", opúsculo escrito por ele como autocrítica, em 1886, ao seu livro "Nascimento da Tragédia" (primeira edição em 1872). A edição de 1886 ganhou como acréscimo ao título o subtítulo "Helenismo e Pessimismo". Nietzsche foi minha primeira paixão na faculdade de filosofia da USP. Na época, recém-saído da medicina e em formação para ser psicanalista, o que nunca aconteceu, eu colocava em diálogo Nietzsche e Freud. O filósofo do martelo me é inesquecível e continuo pensando com o martelo até hoje. Vocação é destino. Este trecho específico carrega em si muito do que Nietzsche significa para um filósofo profissional como eu, em constante mal-estar com o que a vida universitária se transformou, em épocas de produtividade industrial do ensino superior. A fala de Nietzsche vai de encontro ao modo como somos formados, não sem razão, nas boas faculdades de filosofia: somos formados para não sermos originais. Hoje, entendo que qualquer originalidade possível em filosofia é algo conquistado a duras penas, assim como a santidade ou os movimentos precisos de uma dança --metáfora cara ao filósofo do martelo. Lembro-me de uma das primeiras aulas em que um dos grandes professores que tive nos disse algo assim: "Você não está aqui para achar nada, antes de achar algo estude, e descobrirá que muita gente já pensou o que você pensa, e muito melhor do que você, antes de você." Esta dureza acaba por fazer de nós pessoas menos opinativas e mais rigorosas, e isso é sem dúvida fundamental. Esta é a diferença entre pensar filosoficamente e pensar como senso comum. Vale lembrar que do ponto de vista da filosofia, as ciências humanas em geral são senso comum. Rigor nada tem a ver com o que a academia se tornou com o passar dos anos: um antro de política lobista e de burocracia da produtividade a serviço da morte do pensamento. A universidade está morta e só não sente o cheiro do cadáver quem tem vocação para se alimentar de lixo. Fosse Kafka vivo e escrevesse um conto sobre nós, acadêmicos, nos colocaria com cara de ratos. Imaginem Nietzsche preenchendo o currículo Lattes, uma plataforma informática que supostamente democratiza o acesso à produtividade da comunidade acadêmica, ao mesmo tempo em que normatiza e quantifica esta produtividade. Na prática, o Lattes serve para nos tomar tempo (sempre dá pau) e acumular platitudes e repetições que visam a quantificação de um quase nada de valor. Agora imaginem Nietzsche às voltas com relatórios anuais da Capes, que junto com o Lattes, institucionaliza e quantifica esta mesma produtividade de um quase nada de valor. Não existiria filosofia se nossos patriarcas, de Platão a Nietzsche (para citar dois grandes), tivessem que preencher o Lattes, fazer relatórios Capes ou serem "produtivos". Todos seriam o que, aos poucos, nos transformamos: burocratas mudos da própria irrelevância. Analfabetos do pensamento. Uma das formas de sobreviver a este processo de produtividade de massa é obrigar nossos alunos a pesquisar aquilo que não querem, de uma forma que não querem, a fim de garantir verbas institucionais de pesquisa em grande escala. Esmagamos a criatividade e as intenções dos alunos fazendo deles uma infantaria estatística. A universidade mente: quer formar rebanhos dizendo que defende a liberdade de pensamento. Lutamos dia a dia para conseguirmos sobreviver aos montes de formulários e demandas do mundo dos ratos. A universidade aos poucos sucumbe aos efeitos colaterais de um mundo que, como diria Nietzsche, vomita "ideias modernas". Os processos de democratização do saber, como suspeitava nosso filósofo, são processos de produção de nulidades em grandes quantidades. Mais do que nunca é urgente sermos corajosos e imodestos para acharmos nossa própria língua individual.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Papo de viralata

Luiz Felipe Pondé, em sua coluna na Folha de São Paulo publicada hoje, usa uma expressão deliciosa: papo de vira lata. Se no mundo dos que latem e uivam ser vira lata é uma ternurinha só, entre os os humanos comportar-se como vira lata (e ter papo de vira lata) "dá vômitos". E que papo seria esse de vira lata? Para Pondé papo de vira lata é, por exemplo, declarar que "a Europa é outra coisa" ou "Primeiro mundo é isso ou aquilo". Vira lata é quem confunde luxo com ostentação e mantém em casa espaços sem utilidade, como uma sala de visitas. Tomando o texto do Pondé como ponto de partida, resolvi fazer uma lista do que seria papo de vira lata. É, vamos lá, quem quiser ajudar mande-me colaborações, quem quiser criticar seja no mínimo inteligente!

1. Percebe-se um vira lata quando em uma reunião de planejamento a pessoa (ops, vira lata) recorrentement e inicia suas frases com " Gente, tem que tomar cuidado....", dito em tom bem penoso, meio que adivinhando que a tragédia vai se instaurar porque algum detalhe foi esquecido no planejamento. Repare, normalmente esse vira lata só sabe fazer isso, dizer que tem que ter cuidado!

2. Fala de vira lata "Portugal roubou nosso ouro", dá para superar isso???

3. Possível papo de vira lata: "O processo precisa ser transparente"- não suporta que o outro faça e fica cobrando essas questões que são de fato importantes, mas que no caso deles são apenas formas de emperrar o processo.

4. Vira lata: fala e esfrega os olhos e o rosto....e esfrega e esfrega....falando e esfregando...Será uma espécie de saudades das pulgas???

5. Vira lata burocrata: "Qual o número do memorando?" ou "Pode me enviar um memorando dizendo isso que você acabou de me dizer?"

Espero que o Pondé não se zangue com minha listinha! 

O vira lata da foto é meu ruivo Onofre! 


terça-feira, 9 de outubro de 2012